sábado, 20 de agosto de 2011

Estou Pronta


Estou pronta.
A tempestade de areia feriu minha face,
Mas em momento algum eu vacilei.
Os escombros foram muitos,
mas permanecemos intactos.
Observei aquele rio caudaloso, profundo e de águas escuras,
Ouvindo uma voz dizendo que eu conseguiria, atravessei.
Quanto medo sentia a minha alma,
mas eu consegui.
Aquela corrente marítima que eu tanto temia que me levasse coisas queridas,
 se acalmou e quase nada me levou.
Aquela tormenta que nos pegou no meio do caminho,
Pouco nos feriu e se foi.
Anjos nos observam,
Complacentes,
Calados,
Apenas intuem que venceremos.
Vêem em teu nome.
Observam sem interferir em teu nome.
Amam em teu nome.
Estou contigo Senhor,
E tu estás comigo, sempre.
Senão nem mais estaria aqui presente na carne.
Sou fraca, sou humana, sou pequena.
Somente tua presença me fortalece.
Faltou-nos pão.
Faltou-nos chão.
Faltou-nos mãos.
Meu coração viveu em solidão.
Mas só o bastante para tu me provares,
que tu não abandonas os teus.
Tudo tu me devolvestes,
E eu te agradeço por conseguir ser feliz com tão pouco.
Só te peço que tomes conta do meu coração.
Pois é a parte mais dura do meu corpo e da minha alma.
Porque não consigo me abrir para ti?
Vem e na calada da noite,
Enquanto meu espírito vaga chorando e clamando,
Afaga a minha alma e se apodera do meu coração e faz dele a tua morada.

Inês Helena Gadelha – Abril de 2009

sábado, 16 de julho de 2011

Minha Missão

Eu queria achar o meu caminho,
meu ninho.
Caminhar por uma estrada,
toda sinalizada.
Cumprir minha missão,
pagar meu débito com a humanidade.
Deixar rastros cintilantes,
discípulos iluminados.
Deitar em uma cama,
relembrar a minha senda.
Sorrir
e partir como uma vencedora.

Inês Helena Gadelha
Abril/1992

Em outra Dimensão

Eu preciso relaxar meu corpo físico,
para afrouxar as amarras que prendem o meu espírito.
Quando consigo,
procuro um lugar no astral.
Esse templo,
em outra dimensão,
na parte sutil do astral da Terra.
Lá,
eu renovo as minhas forças,
dissipo as minhas dúvidas,
transformo os meus sentimentos,
concretizo os meus pensamentos.
Deus permita sempre,
que de vez em quando eu possa ir lá.
Que eu possa continuar trocando energia,
com almas evoluídas
e cheias de amor.
Para quando eu voltar,
para o meu corpo físico
e acordar,
eu transborde de energia,
de quem quer e pode mudar o mundo para melhor.

Inês Helena Gadelha
Abril/1989

Senhor

Tenho fome de Justiça,
tenho sede de Amor.
Que mundo estranho é esse no qual eu vivo ?
Tenho alguma missão nesse lugar que não me adapto ?
Sinto-me entre estranhos e inimigos.
Uma rosa entre cactos
e as vêzes Cactos entre rosas...

Inês Helena Gadelha
Maio/1993

A bagunça organizada

Concluo, por achar sagrada a desordem do meu espírito...(Rimbaud).


A bagunça organizada

A minha bagunça é organizada. Eu escrevo certo por linhas tortas, tal qual o meu criador. Aliás, filha de peixe, peixinha é...
Pessoas metódicas e que “escrevem certo por linhas retas” as quais percebem e observam o meu mundo emocional, podem achar que eu estou perdida em meio ao meu caos, mas eu não estou.
Foi com muita disciplina e observação, junto com uma necessidade extrema de sobrevivência em meio a turbilhões de sentimentos que me fragilizavam, que eu aprendi a conviver e gerenciar com maestria a minha dor, o meu caos, a minha bagunça, a minha desordem...
Aliás, a maioria das pessoas não sabe lidar com o que não está em ordem, com o que não faz sentido e muito menos acreditam que esse caos também é caminho e leva a algum lugar.
Li certa vez uma frase que dizia mais ou menos assim: “Em Alguns momentos da vida, desistir dos sonhos, é como deixar de “viver” e passar apenas a “existir".
Para lidar com essa bagunça, e percebê-la organizada é preciso ter muito jogo de cintura e principalmente “viver” ou “existir” no limite. "Vive-se" ou "existe-se" de um modo que sempre se está com a vida em jogo. É muita adrenalina e consequentemente muito stress. Para minimizar esse efeitos existem os antidepressivos, ansiolíticos e os sonhos de amor. Esse último torna-se perigoso quando não age como atenuante, mas sim como agravante do stress. Amar e sonhar é uma faca de dois gumes.
Em alguns momentos da vida, deixar de sonhar passa a ser estratégico. Você pode até deixar de viver, mas garante que vai continuar existindo. É como se você viesse de carro por uma estrada em alta velocidade e o tanque de combustível estivesse quase vazio com o próximo posto a muitos quilômetros de distância. Aproveitando o impulso dado pela aceleração anterior, você coloca a marcha na “banguela” para poder continuar vencendo o percurso, sem precisar engatar uma nova marcha. Tudo isso para economizar a energia que quase não mais existe e garantir sua chegada sã e salva ao próximo posto.
Quando se chegar ao posto e completar o tanque de combustível, engata-se novamente as marchas. Assim também, quando se estiver quase morrendo ou deixando de existir, mas se chegar a um lugar ou situação que te trará forças, volta-se a sonhar. É tudo uma questão de estratégia de sobrevivência.
E assim se vai, percorrendo as estradas da vida, pois cada um vence os percursos e resolve os percalços que aparecem, como se pode ou como se sabe...
Só Deus sabe o que precisei modificar dentro de mim pra chegar, não digo nem “vivendo”, digo apenas “existindo”, até esse momento da minha vida.
Bagunça é bagunça, dor e dor, caos é caos e desordem é desordem. Como um veneno, para não ser fatal, esses elementos precisam estar numa dosagem ou presença inferior à dose letal.
Estou no limite da minha bagunça, no extremo da minha dor, agonizando em meio ao caos e quase perdendo o controle da minha desordem, ou seja, nada que possa ser um motivo de stress na minha vida pode continuar existindo, não nesse momento,... por isso eu concluo, por achar sagrada essa desordem do meu espírito....

Inês Helena Gadelha
Maio/2007

História de Pescador

Você me contou a história da sua infância.
Tão pobre de recursos,
mas tão rica em natureza.
Lembrou das noites na sua choupana de barro e teto de palha de coqueiro,
nas quais quando chovia não se podia dormir.
Falou da sua rede rasgada,
a qual a sua mãe chorava,
por não ter agulha e linha para costurar.
Noites de frio,
nas quais não tinha um lençol para se enrolar e nem roupas para trocar.
Ao lembrar desse dias idos você chorou.
Chorou lágrimas,
não sei se de saudade, dor ou alívio.
Ma também me contou,
da sua infância livre,
na qual corria livre pelas dunas e falésias,
vendo as marés desenterrarem mangues de tempos passados,
e encontrando relíquias dos seus antepassados,
enquanto brincava por essas terras,
Livre...
Contou também lendas e “causos” do seu povo.
Bolas de fogo que brincavam de assustar,
"visagens" que derrubavam frutas,
sereias e mães d'água no mar...
Suas verdades e a de seu povo.
Mas o que gostastes mesmo de contar,
foi história de pescador.
Que não deixa de ser a história da tua vida,
da vida que abraçastes,
do ofício que trouxe a ti,
teus descendentes
e tua comunidade até esse presente momento,
com muita dignidade.
Já passastes muita dor, medo e susto na tua vida,
mas o que mais dói, amedronta e assusta,
é nessa altura dessa vida,
ver sua comunidade descaracterizada,
sua identidade roubada,
suas terras invadidas e cercadas,
sem que nada possas fazer.
Só resta ter fé e esperar,
que Deus ou algum homem,
sinta empatia por essa dor,
por essa causa,
e te encha de esperança para acreditares que ainda tens força para lutar,
pelo o que é de direito teu..
E assim,
como as fontes de água que brotam nessas praias e desaguam no mar,
mas no percurso abrem caminho nas rochas, dunas e falésias,
espero que essas palavras que saem da sua boca e inspiram a minha alma,
siga caminho abrindo espaço e tocando como poesia os corações.

Inês Helena Gadelha
Maio/2007